Pastor ou mercenário?! (CC)

Todos que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes...

(Deverá fazer “duplo clique” nas referências bíblicas, para ter acesso aos textos)

 

 

1. Contexto da parábola

João 9:39/41 e João 10:01/06

 

Embora esta parábola esteja no início do capítulo 10, não podemos ignorar o que se passou no capítulo 9 em que Jesus curou um cego de nascença num sábado, transgredindo assim a Velha Lei de Moisés que proibia qualquer trabalho ao sábado, facto que era punido com a pena de morte. Êxodo 31:15, ou Números 15:32/36. De acordo com a Lei de Moisés, todos eram obrigados a servir de carrascos, apedrejando até à morte quem fizesse algum trabalho ao sábado. Mas na época de Jesus, os judeus já estavam dominados pelo Império Romano que não permitia a pena de morte por motivos religiosos.

Esta transgressão da Lei de Moisés despertou a fúria dos judeus que interrogaram o cego já curado por Jesus, que corajosamente arrisca a sua própria vida dando testemunho da sua cura e é expulso do Templo.

Como vimos em João 9:39/41, estava aberta a “guerra” entre a Velha Lei de Moisés e a nova mentalidade que Jesus veio anunciar. O cego já curado anuncia corajosamente a sua cura perante as autoridades do Templo. Já ninguém o conseguia calar, e os “religiosos” do seu tempo apelam para a posição que tinham na hierarquica religiosa, para o expulsar do Templo, atitude tantas vezes assumida pelos dirigentes religiosos, antes e depois da época de Cristo.

É nesta sequência que devemos interpretar os versículos 1 a 6 do capítulo 10, primeiros pensamentos do Mestre, que mais adiante os desenvolveu com a comparação entre dirigentes religiosos e crentes em geral com os pastores e suas ovelhas.

Segundo vemos em João 10:06, os judeus não compreenderam esta parábola, que para nós é já muito usual. Possivelmente era a primeira vez que Jesus apresentava este paralelo de ideias. Nesse contexto histórico, certamente que Jesus se referia aos pastores no seu significado original, cuja dedicação aos seus animais o Mestre apresenta como um exemplo do que deveria ser a dedicação dos dirigentes religiosos aos crentes das várias congregações locais.

Julgo que Jesus dá a maior ênfase à familiaridade entre o pastor e suas ovelhas, pois este não se preocupa em contar as suas ovelhas. O pastor não conhece somente o seu rebanho e sabe quantas ovelhas tem, mas conhece cada uma pelo seu nome, conhece pessoalmente cada uma das suas ovelhas e os seus problemas, e as ovelhas também conhecem bem o seu pastor.

Mas, vendo que os judeus não compreenderam, o Mestre desenvolve o seu pensamento.

 

2. Pastor ou mercenário

João 10: 07/16

 

Esta passagem é bem conhecida entre católicos, evangélicos e protestantes mas geralmente fala-se muito sobre as características do pastor e pouco ou quase nada se diz sobre os mercenários. Será que o assunto está ultrapassado? Já não há mercenários no nosso tempo?

Julgo que o Mestre desenvolve mais a ideia do mercenário do Templo, das sinagogas ou das igrejas do que a ideia do verdadeiro pastor. Neste paralelo de ideias o verdadeiro dirigente religioso só é comparado ao dedicado pastor de animais, enquanto o falso dirigente é comparado ao ladrão, ao salteador e ao mercenário.

Examinando o contexto desta parábola, que é a cura do cego que foi expulso do Templo, julgo ser importante para a sua compreensão, alguma informação sobre o pastor. Refiro-me ao verdadeiro pastor de animais, e sobre as ovelhas nesse contexto histórico em que Jesus viveu.

 

3. Semântica de algumas palavras no contexto cultural em que Jesus viveu.

 

3.1 Ovelha

A ovelha é um animal doméstico muito utilizado na Ásia menor já nessa época.

É um animal dócil, submisso, sem grandes possibilidades de se defender dos predadores, ficando praticamente dependente dos seus donos. Ao contrário da cabra, a ovelha não tem grande capacidade de orientação. Vemos que Jesus conta a história da ovelha perdida e não da cabra perdida.

 

3.2 Lobo

Nos nossos dias, quando se fala do lobo, pensamos num animal em vias de extinção, cuja sobrevivência tem de ser defendida pela nossa legislação em Portugal e julgo que em quase toda a Europa. O lobo até se tornou “simpático” ou pelo menos digno da nossa simpatia, pois se tornou vítima indefesa perante outro predador muito mais perigoso, o próprio ser humano.

Mas, na época em que que Jesus viveu, o lobo era um terrível predador que ameaçava não só animais domésticos como o próprio homem, principalmente quando se juntava em perigosas alcateias. Numa época em que ainda não havia armas de fogo, eram necessárias construções para defesa do ser humano e animais domésticos dos ataques dos lobos e outros animais selvagens.

 

3.3 Curral das ovelhas

Jesus refere-se a uma dessas construções nos versículos em estudo. Era geralmente um recinto circundado por um sólido muro de pedra, com alguns metros de altura, coroado por ferros aguçados e cortantes, com só um portão de entrada, pesado e forte. Era nesse local, que durante o inverno, vários rebanhos se juntavam, estando assim protegidos não só dos lobos como das hienas, panteras, leopardos, chacais etc.

No seu interior, as ovelhas juntavam-se e circulavam livremente, misturando-se os vários rebanhos durante todo o inverno.

É natural que alguém me pergunte: Então, se houver centenas de ovelhas, quando determinado pastor as vier buscar, como saberá quais são as suas ovelhas? Também estavam marcadas como nos nossos dias com uma pequena chapa de identificação dos Serviços de Veterinária?

Não. O método de identificação era outro, como Jesus nos indica. O pastor chamava pelas suas ovelhas e só as suas ovelhas é que respondiam à chamada do seu pastor. Certamente que o guarda, responsável pelo curral observava, atento ao comportamento das ovelhas, para só deixar sair as que reconhecessem a voz do seu pastor.

Isto poderá parecer um tanto estranho e difícil de aceitar por quem nos nossos dias mora numa cidade e não conhece os trabalhos do campo. Mas a esses pergunto: Se alguma vez tiveram de deixar o seu cãozinho ou o seu gato numa clínica veterinária, será que quando o foram buscar tiveram alguma dificuldade em identificar o seu cão ou gato entre tantos outros?! Certamente que não, pois bem conhecem o seu animal e este também conhece o seu dono e se alegra quando o seu dono o vai buscar, pois estará ansioso por voltar para casa.

Como nos podemos admirar de que o pastor consiga identificar todas as suas ovelhas entre tantas outras?! Ele cuidou delas desde o dia em que nasceram e elas se habituaram à voz do seu pastor desde tenra idade, voz que nunca mais esquecem.

 

3.4 Pastor na época de Jesus

Nos nossos dias a profissão de pastor de animais está também em vias de extinção, pois a maior parte dos animais nasce encarcerada, mas não lhe falta alimentação, primeiro para crescer e depois para engordar e a única viagem que faz é para o matadouro. Mas ainda há alguns verdadeiros pastores em Portugal nas zonas montanhosas, nas ilhas dos Açores e principalmente em África e em muitas zonas do Brasil. Mas o que mais nos interessa para o nosso estudo é o pastor a que Jesus de referiu, ou seja, o pastor na época e cultura em que Jesus viveu, que não nos sugere uma cena bonita, calma e edificante como muitos imaginam. 

O historiador Joaquim Jeremias, no seu livro “Jerusalém no tempo de Jesus”, traduzido do alemão e editado pela Paulus, transcreve quatro listas dessa época, com as profissões consideradas desprezíveis e em duas dessas listas aparece a profissão de pastor.

Nem sempre o pastor era o dono dos rebanhos, pois havia os que trabalhavam para o seu patrão, o dono das ovelhas. Era esse o caso dos mercenários a que Jesus se referiu.

Nessa época, os pastores eram considerados desonestos, ladrões, acusados de levar os rebanhos a pastar em propriedades alheias e de se apoderar de parte da lã e do leite a ponto de ser proibido, pela legislação da época, comprar estes produtos directamente aos pastores que não fossem os donos dos animais.

Julgo que também tenha contribuído para a má fama dos pastores o facto de, durante a época das pastagens, terem de passar muitos dias junto aos animais que guardavam dia e noite e a dificuldade em cumprir todas a abluções mencionadas na Lei de Moisés num contexto cultural em que a higiene estava relacionada com a espiritualidade e a falta de higiene com o pecado, como era a mensagem veterotestamentária. Também, se estivessem longe do curral, duvido que ao sábado deixassem as ovelhas à fome, transgredindo assim o sábado.

 

4 Contexto teológico da parábola

 

Jesus estava perante os fariseus, que eram escrupulosos cumpridores da Lei de Moisés e que O acusavam de ter curado um cego num sábado, dia em que era proibido qualquer trabalho de acordo com a Lei veterotestamentária que, como já vimos, punia o transgressor com a pena de morte.

Nessa época, como através dos tempos em geral, sempre que o povo se afastou de Deus e entregou a religião aos seus “profissionais”, acabou por ser vítima dos dirigentes religiosos que o explora e mantem submisso em nome da religião.

Claro que, quando são os dirigentes religiosos que falam em nome de Deus, todas as leis e tudo que é efectuado “em nome de Deus”, será para benefício dos próprios dirigentes religiosos e não do povo. Nisso são muito semelhantes aos políticos dos nossos dias.

A maior e pior ditadura, é a “ditadura teológica”, quando os crentes se afastam da religião e permitem que exclusivamente os dirigentes religiosos falem em nome de Deus, pois assim ficam acima de qualquer crítica. Foi esse o caso de Moisés que estabeleceu a sua “dinastia teológica” Decálogo – Dez Mandamentos (CC) ou Aarão ou Arão e o Bezerro de ouro (CC), ou David ou Davi (CC) e duma maneira geral de todos os antigos reis de Israel que mantinham o povo pobre e humilde para não conseguir reagir à exploração pela religião.

No Velho Testamento, cerca dos anos 600 a 500 AC aparecem alguns profetas que reagem à exploração do povo, em nome de Deus, pelas “autoridades religiosas” mas a primeira grande reacção a esta cultura de exploração em nome da religião foi a de João Batista, contemporâneo de Jesus Cristo, assunto que abordamos no nosso artigo João Batista (CC).

Certamente que as autoridades religiosas da época de Cristo, não poderiam permitir que as novas ideias que punham em causa os privilégios dos levitas, fossem livremente divulgadas. Primeiro foi João Batista que se rebelou contra a exploração do povo em nome da religião, mas nesta altura, até um pobre e indefeso cego que nem poderia entrar no salão principal do Templo devido à sua deficiência, estava agora transformado a ponto de debater teologia com os próprios fariseus!

 

5. Parábola do bom pastor João 10: 07/16

 

Vejamos mais detalhadamente a parábola em estudo com base na tradução da TEB.

7 Jesus prosseguiu: Em verdade, em verdade, eu vos digo, eu sou a porta das ovelhas. 8 Todos os que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram. 9 Eu sou a porta: se alguém entra por mim, será salvo, sairá e voltará e achará com que se alimentar. 10 O ladrão só aparece para roubar, matar e levar à perdição; eu vim para que os homens tenham a vida e a tenham em abundância.

11 Eu sou o bom pastor: o bom pastor se despoja da própria vida por suas ovelhas. 12 O mercenário, que não é verdadeiramente pastor e a quem as ovelhas não pertencem, ao ver chegar o lobo, abandona as ovelhas e foge; e o lobo se apodera delas e as dispersa. 13 É que ele é mercenário e pouco lhe importam as ovelhas. 14 Eu sou o bom pastor, eu conheço as minhas ovelhas, e as minhas ovelhas me conhecem, 15 como o meu Pai me conhece e eu conheço o meu Pai; e eu me despojo da vida pelas ovelhas. 16 Eu tenho outras ovelhas que não são deste redil, e também estas é preciso que eu conduza; elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor.

  

Certamente que Jesus utilizou esta parábola para ilustrar a sua ideia de acordo com a cultura em que estava e também os seus ouvintes a interpretaram de acordo com essa cultura. Assim, também nós, teremos de “ouvir Jesus” no seu contexto histórico e cultural.

Este pormenor é muito importante, pois temos aqui muitos personagens e muitos pormenores. Será que tudo isto tem o seu significado alegórico?

Segundo as regras da hermenêutica, uma parábola é uma figura de retórica que se destina a ilustrar uma ou mais afirmações em que, para a sua correcta interpretação é necessário procurar o seu objectivo tendo em conta o motivo da sua utilização, para destacar somente as principais afirmações da parábola, deixando de lado tudo que serve somente de adorno ou complemento da narração.

      

Vr. 7 Jesus prosseguiu: “Em verdade, em verdade, eu vos digo, eu sou a porta das ovelhas”.

Jesus identifica-se com a porta do curral das ovelhas.

Como vimos, o curral das ovelhas era um local bem protegido, que tinha uma única porta. Tratava-se dum sólido e pesado portão que, quando encerrado, impedia a passagem de animais ou pessoas indesejadas.

Nesta parábola há também um porteiro, mas Jesus não é o porteiro, Ele próprio é a porta, o único caminho legal para entrar ou sair do curral das ovelhas. Encontrei uma certa unanimidade nesta interpretação. Jesus é a porta, símbolo da entrada no seu reino.

Para quem medita na sua mensagem, julgo significar que, devemos dar toda a ênfase ao que for genuinamente o pensamento do Mestre, embora possa haver muitos pensamentos úteis e edificantes sobre as suas parábolas e a sua mensagem em geral que não sejam propriamente pensamentos de Jesus.

Como vimos no vr. 1, o mercenário não entra pela porta do curral, mas “…mas sobe por outra parte…”. João 10:01 Será que esta acusação de subir ou escalar o muro de vedação do curral das ovelhas tem alguma relação com o falso pastor que também “sobe” na hierarquia da sua igreja de maneira fraudulenta, à custa dos crentes e de outros pastores?! Há quem veja aqui, também um paralelo de ideias, mas pessoalmente tenho dúvidas de que fosse essa a intensão do Mestre, mas não deixa de ser uma ideia interessante.

 

8 Todos os que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram.

Algumas traduções tentam explicar esta afirmação do Mestre.

A Bíblia de Jerusalém tem uma “chamada” afirmando que provavelmente tratava-se duma referência aos fariseus.

A própria TEB (na edição completa com todos os comentários da TOB) tem uma “chamada” em que afirma: Não se trata dos profetas do A.T. mas de homens que, tanto no mundo judeu como no mundo pagão, pretendiam por seus próprios meios levar aos homens o conhecimento das coisas divinas e a salvação.

Não é fácil encontrar uma explicação credível deste versículo. Sou crente há mais de cinquenta anos, já ouvi muitas pregações, mas não me lembro de alguma pregação sobre este versículo. A maior parte das “explicações” sobre este versículo tenta culpar os fariseus, seita muito prestigiada inicialmente, mas que na época de Jesus já se tornara fanática fundamentalista e se desviara dos seus ideais. No entanto o Mestre é bem claro como podemos ver em várias traduções. Ele refere-se a todos os que vieram antes dele, portanto não foram só os fariseus.

A parábola não nos permite limitar a palavra “todos” ao grupo dos fariseus, pois se são somente os fariseus, então não serão todos. Não vejo que possamos excluir algum dos que consideramos os grandes personagens veterotestamentários. O único profeta que poderíamos excluir seria João Batista que foi contemporâneo de Cristo, portanto, veio na mesma época e não antes.

A mesma palavra todos também aparece em Romanos 3:23 e Romanos 5:12 e temos de aceitar a sua interpretação, por mais que nos custe. Os profetas do Velho Testamento também aqui estão incluídos.

Há algumas poucas explicações para este versículo, mas os argumentos não me parecem muito sólidos.

 

1) Se, de acordo com as regras da hermenêutica, enquanto for possível, é necessário tomar as palavras no seu sentido usual e ordinário, então, a expressão de Jesus …antes de mim… deve referir-se a todos os dirigentes religiosos do VT. Não podemos deixar de colocar esta interpretação em primeiro lugar, embora a mentalidade veterotestamentária considere muitos desses personagens do Velho Testamento como intocáveis. Assim, a palavra todos teria o mesmo significado que em Romanos 3:23 onde não há excepções. Refere-se a todo o grupo dos dirigentes religiosos que vieram antes de Cristo.

 

2) Só os fariseus.

É a vulgar interpretação, mas que julgo pouco credível, pelos motivos já apresentados.

 

3) Antes de mim… podemos subentender que seria desde que se previu a vinda do Messias.

A vinda de Jesus foi prevista por Isaías 7:14 ou Isaías 9:6 cerca 700 anos antes de Cristo. Ou Zacarias 9:9 a 500 anos antes de Cristo e algumas outras passagens dessa época.

Será que Jesus se refere a essa época em que, segundo algumas opiniões, houve um certo vazio de profecias? O historiador Josefo afirma que nessa época “Enquanto os ladrões enchiam Jerusalém de crimes, os magos, por seu lado, enganavam o povo e o levavam ao deserto, prometendo-lhe mostrar milagres e prodígios. Mas Félix castigou-os imediatamente, por sua loucura; mandou prender e matar a vários.”

 

4) Transcrevemos a interpretação do “Grande Comentário Bíblico do Evangelho de São João”, interpretação que consideramos pertinente:

A declaração de Jesus é muito dura. Os que se atribuíram a liderança sobre o povo usaram da dominação e da violência para explorá-lo. O presente “são”, em vez de um passado, refere o dito de Jesus, sobretudo, à sua época contemporânea. Mas as ovelhas não lhes fizeram caso. O povo está submetido pelo medo e não por convicção.

Concordo que foi esse o comportamento dos dirigentes religiosos do Velho Testamento através dos tempos, opinião que aliás coincide com as de outros historiadores, inclusive Joaquim Jeremias. (a) Mas também vejo que a própria Lei de Moisés proporcionava o fundamento teológico para essa violência, bem como a exploração do povo a favor dos levitas, o racismo, a forte discriminação da mulher, a escravatura, a pena de morte, a falta de liberdade religiosa etc, aspectos que têm fundamento bíblico veterotestamentário, mas geralmente falta a coragem para os abordar. Nalguns casos, foi a lei de Moisés que obrigou a praticar crimes que até repugnavam aos próprios militares de Israel, como podemos ver em Números 31:07/18

 

5) Eu penso que nesta parábola há duas comparações. Em primeiro lugar Jesus se apresenta como a porta das ovelhas e em segundo lugar como o bom pastor.

Neste versículo 8, tudo indica que o pensamento do Mestre se refira ao facto dele ser a porta, pois é essa a palavra que está, tanto no versículo anterior, o 7, como no versículo seguinte, o 9.

Qual era a porta no Velho Testamento? Qual o caminho para Deus o Pai? O que ensinavam no Templo e nas várias sinagogas? O único caminho para o Pai era pela “santidade genealógica” ser “filho de Abraão” e pelo cumprimento escrupuloso de toda a Lei veterotestamentária, que incluía muitas leis que Jesus rejeitou. Transcrevemos algumas dessas leis no fim deste artigo.

Todos esses que no passado se apresentavam como o caminho para o Pai são ladrões e assaltantes. Apresentavam-se como intocáveis, mas escravizavam o povo e exploravam-no para seu proveito próprio, num contexto cultural onde não havia liberdade de expressão e qualquer heresia era punida com a pena de morte, sendo todo o povo mobilizado para matar o desgraçado. (Ver nosso artigo Direito à heresia (CC)).

 

9 Eu sou a porta: se alguém entra por mim, será salvo, sairá e voltará e achará com que se alimentar.

Este versículo tem de ser lido no contexto dos anteriores.

Jesus era e continua a ser, não uma porta, mas a porta para fugir aos horrores do fanatismo oportunista dos levitas que encontramos em quase todo o Velho Testamento.

Portanto, um bom pastor é aquele que entra por Jesus Cristo e que se torna “parecido com o Mestre”. Julgo que é possível um pastor ter boa preparação teológica, um pastorado de “sucesso”, quando a igreja local manifesta bom crescimento do número de crentes e crescimento económico, estar absolutamente correcto na sua teologia, mas ser ladrão e assaltante se for autoritário, insensível, egoísta, e o oposto à mentalidade do Mestre, pois pode ser “parecido com Moisés” e faltar-lhe o principal. Esta pode ser a explicação para as igrejas que crescem rápido, mas cedo se desfazem em nada. Lembro-me duma igreja em Goiânia com um pastor com boa preparação teológica, que cresceu muito para depois fracassar quase dum dia para o outro e esteve quase a fechar as suas portas até que apareceu um pastor idoso e já aposentado que tomou conta dessa igreja, mesmo sem vencimento. É fácil saber qual destes pastores é parecido com Jesus.

Somente a semelhança com Jesus define o que seja o bom Pastor (ou o bom crente). O bom pastor dos nossos dias, em vez de se apresentar como uma porta, deve encaminhar as ovelhas para a única porta que é Jesus o Cristo.

Jesus é a única e suficiente “porta”, é a porta de acesso ao seu Reino. Cada igreja (denominação), tem os seus regulamentos ou rituais para admissão dos novos membro dessa igreja, mas entrar para a Igreja de Cristo é outra coisa. Não vamos, de maneira alguma, diminuir o trabalho das várias igrejas de encaminhar as pessoas a Cristo, mas o nosso único Mestre não prescinde de ser a única e toda suficiente porta de entrada no seu Reino. Não é por terem cumprido todos os rituais de determinada igreja, por vezes bem complicados, que se conhecem os verdadeiros cristãos, mas por um pormenor muito simples, pelo seu comportamento, por serem parecidos com Cristo em ambiente secular.

 

10 O ladrão só aparece para roubar, matar e levar à perdição; eu vim para que os homens tenham a vida e a tenham em abundância.

Não só nessa época como através dos tempos, o serviço nas sinagogas e nas igrejas tem sido uma tentação para que os dirigentes religiosos procurem resolver os seus próprios problemas, servindo-se das ovelhas. Quanto mais pobre e humilde for o povo, mais “rentáveis” as igrejas.

Este versículo 10 está em sintonia com outras passagens em que Jesus manifesta a sua opinião sobre o pastor tipo mercenário.

Não podemos esquecer Mateus 23:14 s bem como João 2:14/17 em que Jesus manifesta a sua opinião sobre o pastor-mercenário do seu tempo e de todos os tempos.      

Roubar – A maior prioridade para o pastor-mercenário é o aspeto económico. Nas suas pregações, Cristo deixa de ser a prioridade para passar a ser a contribuição, o dízimo e procura todos os pormenores para receber o máximo que puder. Prega mais sobre o Velho Testamento e evita certas passagens neotestamentárias, nomeadamente os exemplos de Paulo ou de João Batista. Se a igreja for pequena e não puder sustentar o pastor, este logo a abandona para procurar outra mais rentável. É o tipo de pastor que sobrevive à custa das ovelhas.

matar e levar à perdição - O mercenário leva à morte espiritual e intelectual da ovelhas.

Em certos aspectos o mercenário mata espiritualmente as ovelhas. Em vez de incentivar o trabalho das ovelhas, tomará conta de todos os cargos na igreja de forma a tudo controlar.

eu vim para que os homens tenham a vida e a tenham em abundância.

Ao contrário de Paulo nas suas viagens missionárias, que ainda hoje é possível reconstituir por algumas ruínas da via romana, que passava pelas cidades de Éfeso, Laodiceia, Filadélfia, Sardes, Tiatira, Pérgamo e segundo os historiadores, Paulo ficou cerca de um ou dois anos em cada cidade, organizando essas igrejas a partir do nada, certamente incentivando e preparando colaboradores de Jesus, nessas igrejas que ao fim desse curto tempo deixou já bem organizadas, o pastor-mercenário faz precisamente o contrário. Onde houver pequenas igrejas já organizadas, o mercenário começa por tomar conta de todos os cargos nas igrejas, transformando os principais colaboradores em simples assistentes, de forma a tornar-se, ele próprio, “imprescindível” na igreja. Penso que é assim que os mercenários dos nossos dias “matam” as ovelhas.

Lembro-me dum crente do Recife que um dia afirmou. Já não me sinto ovelha do Senhor… Agora estou transformado em simples ovelha do pastor e o meu trabalho é dar lã e estar calado.

 

11 Eu sou o bom pastor: o bom pastor se despoja da própria vida por suas ovelhas.

Eu nasci na antiga Lourenço Marques, actual Maputo, a capital de Moçambique num hospital da chamada Missão Suíça, hospital mantido pelas igrejas presbiterianas da Suíça de língua francesa. Mais tarde, conheci alguns missionários suíços e portugueses dessa missão, pessoas com boa preparação que deixaram uma cómoda vida na Suíça para viverem a sua vida não só na capital de Moçambique como nas suas igrejas locais no interior do Sul de Moçambique.

Jesus deu a sua vida pelas suas ovelhas. Será isso possível nos nossos dias?!

Esta alegoria da ovelha, encontramos também no Velho Testamento em Ezequiel e em Isaías 40:11 Através dos tempos, Deus tinha observado como os seus sacerdotes levíticos que já nessa época (500 anos antes de Cristo), deturpavam a sua mensagem a favor dos seus próprios interesses e prometera enviar o bom pastor. Agora, Jesus se identifica com essa promessa. Chegou finalmente o Bom Pastor.

 

12 O mercenário, que não é verdadeiramente pastor e a quem as ovelhas não pertencem, ao ver chegar o lobo, abandona as ovelhas e foge; e o lobo se apodera delas e as dispersa. 13 É que ele é mercenário e pouco lhe importam as ovelhas.        

Nos nossos dias o lobo e outros animais selvagens já não são um verdadeiro problema na Europa. O nosso problema é bem diferente. Se o lobo não tivesse protecção da nossa legislação em Portugal, já seria um animal extinto. (b) A solução para defesa do próprio lobo foi indemnizar o pastor por cada ovelha devorada pelos lobos.

Em África, onde o perigo não é o lobo, mas outros animais ainda mais perigosos como o leão, leopardo etc. costumam deixar do lado de fora o boi ou a vaca mais velha e menos valiosa para as feras a devorem sem tentar saltar para dentro do curral que apesar dos vários metros de altura, nem sempre consegue evitar a entrada dos leões. 

O principal problema a que Jesus se refere é a ligação do verdadeiro pastor aos seus animais, pormenor que não se encontra no mercenário.

No contexto cultural em que Jesus viveu, a maior parte dos pastores eram donos das ovelhas, mas havia também os mercenários que tomavam conta das ovelhas do seu patrão. Certamente que haveria mercenários que cumpriam as suas funções e se dedicavam aos animais a seu cargo. O que Jesus condena é a atitude do pastor-mercenário que só se preocupa com o seu salário e abandona as ovelhas quando há perigo ou outras dificuldades. Mas, será que se poderia esperar outra atitude de quem não é dono das ovelhas? Que desse a sua vida em troca dum modesto salário de pastor de ovelhas?

Penso que o “lobo” dos nossos dias podem ser as dificuldades económicas dos crentes, quando o pastor-mercenário abandona a igreja que não pode manter o nível do seu salário. Se esse não for o pastor que fundou a igreja e que a viu crescer, bem como todos os seus membros, se for um simples pastor que a igreja contratou para esse trabalho, certamente que se irá embora se a igreja não lhe der o salário que contratou.

O pastor-mercenário fala porque tem a profissão de pregar, mas sem o poder do Senhor, embora possa berrar bem alto. Incentiva a evangelização e a contribuição com argumentos que aprendeu no seminário, mas ele próprio, nunca traz nenhum visitante, fruto do seu próprio evangelismo pessoal.

Outro “lobo” dos nossos dias pode ser a própria pregação. O pastor-mercenário prefere apresentar uma mensagem mais “demagógica” para agradar à assistência e assim garantir o seu “emprego”. Se houver falhas graves no comportamento dos crentes, prefere ignorá-las, em especial se forem dizimistas, para não afectar a rentabilidade da igreja e o seu salário ao fim do mês.

 

É preciso deixar tudo para ser um bom pastor, que tem de se dedicar às ovelhas 24 horas por dia. Tem de viver permanentemente com os seus animais, inclusive dormir ao lado das suas ovelhas. O Mestre diz que o pastor duma igreja também deve ser assim. Não pode ter horário de trabalho. Conheço pastores cujo telemóvel (celular) está sempre a tocar.

 

14 Eu sou o bom pastor, eu conheço as minhas ovelhas, e as minhas ovelhas me conhecem, 15 como o meu Pai me conhece e eu conheço o meu Pai; e eu me despojo da vida pelas ovelhas.

Jesus dá a maior ênfase ao mútuo conhecimento que o bom pastor tem das suas ovelhas assim como as ovelhas conhecem o seu pastor. Refere-se certamente ao vulgar pastor dessa época, que é o dono das ovelhas, que assistiu ao nascimento das ovelhas e que as criou desde pequenas e indefesas.

Também para cada ovelha que nasce, a primeira visão que tem deste mundo é certamente a da ovelha mãe e do seu pastor. É a imagem que ficará “gravada” para sempre no animal, que instintivamente sempre a irá buscar em caso de perigo ou desorientação. Há uma perfeita sintonia entre a ovelha e o seu pastor que o Mestre apresenta como um exemplo do que é a relação entre Ele e o Pai e também deveria ser a relação entre todos nós e o nosso único Pastor.

Lembro-me dum caso, também passado em Moçambique, quando já há alguns anos houve uma grande cheia no rio Limpopo que inundou todo o seu vale com vários quilómetros de largura a ponto de nalguns locais perderem de vista a terra firme. Algumas populações das margens desse rio, que viviam da agricultura e pecuária refugiaram-se em locais um pouco mais altos e ficaram isoladas pelas águas que continuavam a subir. Todos estavam em risco de morrer afogados. O Governo de Moçambique enviou barcos para pelo menos salvar os habitantes dessas zonas.

Foi nessa altura trágica que alguns pastores responderam: Nós sempre fomos pastores, como os nossos pais e nossos avós. Vivemos para servir estes bois, cabras e outros animais. Um pastor não pode abandonar os seus animais. Se eles não forem salvos, nós também não vamos. Temos de morrer com eles.

Nunca mais tive notícias dessa gente. Possivelmente morreram os últimos verdadeiros pastores a que Jesus se referia.

 

16 Eu tenho outras ovelhas que não são deste redil, e também estas é preciso que eu conduza; elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor.

Quais seriam essas outras ovelhas que Jesus previu que iriam reconhecer a sua voz e unir-se ao seu redil?

Como disse de início, para compreender o Mestre, temos de ouvi-lo no seu tempo. Jesus não falava para cristãos do século XXI, mas para judeus da sua época e cultura na qual se expressou.

O que ensinava a teologia dessa época? A salvação era pelo cumprimento da Lei de Moisés e pela genealogia. Para pertencer ao Reino de Deus era necessário ser judeu e cumprir os mandamentos. Os estrangeiros nem podiam entrar no salão principal do Templo de Jerusalém e teriam de ficar fora, no pátio dos gentios, assim como as mulheres no pátio das mulheres.

As outras ovelhas a que Jesus se referiu eram certamente os gentios, cujo número acabou por exceder em muito o número dos judeus.

 

As duras palavras de Jesus aos “religiosos” que escorraçaram o cego que o Mestre curou ao sábado, acusando os dirigentes religiosos de serem …ladrões e assaltantes… João 10:08 certamente que dividiram os assistentes. 

E muitos deles diziam: Tem demónio, e perdeu o juízo; por que o escutais? Enquanto outros respondiam Essas palavras não são de quem está endemoninhado; pode porventura um demónio abrir os olhos aos cegos? João 10:20/21 

Era a voz do Bom Pastor a dividir as ovelhas. As suas respondiam à chamada, enquanto as outras o rejeitavam.    

 

6 – Conclusão

 

No mundo da informação em que vivemos, afinal, como identificar a voz do bom pastor nos nossos dias?

Também nós, como crentes, que conhecem a Cristo, temos uma forma de conhecer a sua Palavra que não sei explicar, mas é uma realidade de todos que conhecem o nosso Pastor.

Os contemporâneos de Cristo podiam identificá-lo pela sua voz, tal como as ovelhas, mas nós não temos esse privilégio.

Todos os dias, chegam-nos mensagens e informações, pelos mais diversos meios. Pelos livros e jornais, pelos correios, pela rádio e TV ou internet. Muitas dessas mensagens pretendem ser a voz do nosso Pastor. Então, como distinguir a voz do verdadeiro Pastor?!

Tradicionalmente conhecia-se que determinado documento era genuíno pela letra (caligrafia) mas se vier pela internet é o computador que escreve e esse método, na maior parte dos casos, já deixou de funcionar. Também poderíamos ver pela assinatura, mas essa pode ser falsificada.

Mas, há um método que sempre funciona, mas só para aqueles que O conhecem e já aceitaram a sua mensagem e os exemplos que o Mestre nos apresentou.

Só esses estarão em condições de compreender se determinado pensamento ou atitude estará em sintonia com o pensamento e os ideais do nosso Único Pastor estando portanto, também em sintonia com o Pai.

Podemos indicar alguns exemplos, que por vezes nos são apresentados como voz do nosso pastor. São passagens do Velho Testamento que muitos que se consideram crentes maduros e espirituais dizem ser a Palavra de Deus, eterna e imutável, em perfeita sintonia com o pensamento de Jesus.

Os judeus do tempo de Jesus conheciam bem essas passagens e possivelmente muitos deles já tinham sido obrigados a apedrejar outros judeus até à morte, em cumprimento da Lei de Moisés. Eles examinavam as Escrituras do seu tempo, o Velho Testamento, pois julgavam conseguir assim a vida eterna João 5:39 pois consideravam-se salvos devido à sua genealogia e rigoroso cumprimento de Velha Lei. Era o contexto cultural em que viveram os apóstolos até encontrarem o Mestre. Pedro ultrapassou este problema ao afirmar a Cristo …para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. João 6:68.

 

Perante algumas passagens veterotestamentárias como: Êxodo 21:7, Êxodo 22:18, Êxodo22:20, Levítico 20:27, Levítico 21:9, Levítico 21:17/21, Levítico 24:16, Deuteronómio 13:6/11, Deuteronómio 23:2, 1º Samuel 15:32/35, Salmo 137:8/9.

Em comparação com as conhecidas passagens neotestamentárias como Mateus 5:01/11, Mateus 5:43/46, Lucas 6:24/29 , João 08:03/07, coloco as seguintes perguntas:

Há muitos entendidos em religião que conseguem ver uma perfeita sintonia entre todas estas passagens, pois é tudo Palavra de Deus eterna e imutável, do Génesis ao Apocalipse.

Mas há outros, que mesmo sem nada perceberem de teologia, vêm uma grande diferença, pois basta conhecer a Cristo, e quem vê a Cristo vê o Pai.

Será tudo isto a mesma “voz”? Serão todas estas passagens a “voz” do Teu Pastor?!

Entre tantas ovelhas e tantos rebanhos, qual o teu “rebanho” e qual a voz do teu Pastor?

 

Camilo – Marinha Grande, Portugal

Junho de 2015

Estudos bíblicos sem fronteiras teológicas

 

 

(a) Sobre a situação do povo em Israel na época de Jesus, veja também o artigo João Batista (CC)

 

(b) Nos nossos dias a opinião pública até já é favorável à defesa do lobo.

Veja por exemplo http://www.publico.pt/noticias/jornal/cacadores-portugueses-participam-no-abate-de-lobos-junto-a-fronteira-154100 que é uma entre muitas outras informações sobre o assunto disponíveis na internet.

 

Literatura consultada

Várias traduções da Bíblia, nomeadamente a TEB, Jerusalém, BPT.

Jerusalém no tempo de Jesus Por Joaquim Jeremias – Edições Paulinas

O Evangelho de São João – Grande Comentário Bíblico – Edições Paulinas

 

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COMENTÁRIOS RECEBIDOS

 

 

David de Oliveira – Goiânia, Brasil

Junho de 2015

Eu, pessoalmente, considero “mercenário”, todo aquele indivíduo que se escora numa comunidade religiosa  para que esta lhe sustente e à sua família com proventos regulares. Em qualquer congregação que tem como motivo mencionar (estudar e comentar), o evangelho de Jesus, não há necessidade de se ter a presença de um indivíduo profissional com o título de “Pastor”. Isto é um vocábulo/metáfora que deve ser transliterado para os nossos dias e não precisamos de seu rudimentar significado. A mistificação das metáforas proferidas por Jesus e as suas  não transliterações é que levou a verdadeira Igreja à situação a que se encontra hoje, na posição de Empresas religiosas.

Uma das formas de fundamentalismo religioso é levar ao pé da letra tudo o que se encontra na bíblia. Quando Jesus disse: “Na casa de meu Pai há muitas moradas”, o disse a uma população que não sabia nada a respeito do universo. Hoje, talvez dissesse: “No universo onde meu Pai gosta de estar há muitas galáxias e entre estas, há vários sistemas solares com muitos planetas habitáveis”.

 

Quanto a João 10:08 Todos os que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram.

Todas as pessoas que exerceram ensinos religiosos em Israel “antes de Jesus” foram os que colaboraram genericamente para que o cânon do Velho Testamento, como o conhecemos hoje se fizesse conhecido.

O Velho testamento foi escrito pelos escribas e mestres judeus; não podemos nos esquecer disso. Se o aceitarmos completamente como “Escritura Inspirada”, do jeito que os crentes ingênuos compreendem estaremos depositando toda a confiança de inspiração divina nessa classe religiosa. Isso é muito temerário.

Eu entendo nesse ponto particular (até que me convençam do contrário), que Jesus está se referindo a “todas as pessoas que ocuparam posições de destaques ou autoridades em ensinos religiosos de Israel, desde os anjos que trouxeram a Lei dos judeus aos: mestres, profetas, sacerdotes, sumo-sacerdotes etc.”.